terça-feira, novembro 21, 2006







DIÁLOGO DE MULHERES Á COMIDA E Á BEBIDA


Hoje não vou comer só! Mesa posta aguardo a chegada de uma amiga para comermos, e abrirmos os corações, como tão bem as mulheres sabem fazer, sem temor de serem tomadas por seres frágeis, como os homens tanto temem. Não todos, nem sequer sou uma feminista feroz, mas sim alguém que preza o feminino, e a comunhão de sentires tão particulares ao nosso sexo. E neste jantar homenageio todas as mulheres que no último ano têm sido tão presentes na minha vida, dando-me amizade, solidariedade, e não deixando sobretudo que me sinta só, pois sei que do outro lado do écran, do telefone, algures, mais próximo ou mais longe geográficamente, tenho sempre alguém no feminino com quem sei poder abrir-me incondicionalmente sem medo de ser mal interpretada, ou traída.
Ergo então a minha taça repleta de um bom vinho de reserva, sim, o vinho, tem de ser sempre de qualidade, a todas aquelas que tão importantes têm sido para o meu mais recente viver. Bem hajam, e recebam daqui um beijo do tamanho do Universo.
Teresa David

quarta-feira, novembro 15, 2006



















GUERREIROS DA ÁGUA
Enfrentam as gigantes que os tentam engolir.
Caem, mas desprovidos de medo voltam a erguer-se
até vencerem a fúria da água,
e serem transportados em velocidade vertiginosa
para terra firme.
Teresa David-fotos que tirei na Costa da Caparica neste Outuno ainda quente

segunda-feira, novembro 13, 2006



CONTOS DE FADAS

Porque me contaste toda a infância, contos de fadas, todos diferentes cada noite, mas sempre, sempre, com um final feliz?

Porque me escondeste que as pessoas podem ser infelizes, e sofrer de dor?

Porque nunca me esclareceste, que os príncipes e as princesas, escravizavam pessoas para viverem faustosas vidas?

Porque nunca me deixaste ver que a miséria está em todo o lado, e eu não a conseguia ver dentro da redoma onde tu me colocastes?

PAI, revisita-me no meu dormir, e conta-me todos os contos de fadas que ficaram por inventar.

Teresa David-foto de meu pai e eu

sexta-feira, novembro 10, 2006

MONÓLOGO HESITANTE COM UMA REFEIÇÃO, OU, MOMENTOS QUOTIDIANOS
Sempre gostei da partilha de ideias e sentires á mesa de refeições. É aí que as exaltações dos sabores, geralmente, nos levam a conseguir comunicar melhor com os outros.
Há quem faça bons negócios á mesa.
Há quem comece uma relação amorosa com elementos picantes, só porque a comida lhe caíu bem!
Mas também pode existir a solidão, que se minimiza, no meu caso, em transportar os alimentos da mesa para seis pessoas, para uma bem mais pequena, plantada em frente á TV, acompanhar a refeição com um filme que apetece ver, que se coloca no DVD, e que se acaba por meramente olhar, enquanto os pensamentos vogam para os lados do nosso interior, remexendo ou esburacando algumas feridas, ou mais optimisticamente relembrar coisas agradáveis que aconteceram, ou fazer projectos para a vida.
Será uma solução para não ter de enfrentar o vazio de uma mesa repleta de espaço deixado pelos ausentes.
Teresa David-foto minha

quarta-feira, novembro 08, 2006

BASCULHANDO

Despejei as malas antigas sobre a carpete, e delas surgiram farrapos do passado, mais ou menos próximo.
Números de telefone escritos em pedaços de toalhas de papel, cujos corpos correspondentes já são nuvens que passaram, ou buracos negros na memória.
Remédios que pela sua ineficácia ficaram por tomar.
Cartões de pessoas impossíveis de conseguir hoje identificar.
Isqueiros que ainda funcionam, e são sempre benvindos para quem, como eu, ainda não conseguiu afastar-se do vício do tabaco.
Bâtons meios usados, cujas tonalidades divergem da actual, mas porquê não os acabar?
Talões, muitos, de Multibanco, com verbas que há muito já não consigo alcançar!
...E um perservativo ainda dentro do prazo de validade, que foi esperança de algum encontro de corpo que não aconteceu, e quiçá seja altura de usar!

Teresa David-foto minha

sábado, novembro 04, 2006

UM DIA CINZENTO
Pela minha janela entra um cinzento invernoso
que me gela os sentidos
A casa ficou pardacenta, com sombras
que se agigantam pelas paredes

O silêncio é meramente quebrado
pelo assobio do vento

Uma ligeira tremura
chocalha o meu corpo quente
acabado de despertar
de um sono convulso
É hora de reagir, sair do torpor,
e tentar colorir o negrume do dia
Teresa David-foto minha tirada pela minha janela

quarta-feira, novembro 01, 2006

FLAMENCO

Corvos erectos

Serpentes ondulantes

Tropel de cavalos

Galopar de mãos

Sons vibrantes

Corpos revoltos

Emoção orgástica

Mescla sensual

Do corvo a bicada

Da serpente a bifurcação

Andante crescente

Pés de tantãs

Em luta tribal


Teresa David-1997 -foto que tirei em Granada no mesmo ano e agora trabalhada no photoshop

domingo, outubro 29, 2006




CAMINHOS

Quando o corpo se estende

é cansaço

mas também pode ser

o Amor

corro e percorro

o esguio do teu corpo

atravesso o deserto

da rota da Seda

Cedo e deslizo

nas dunas de areia

Canso e descanso

na beira do oásis

Caio no sonho

do sono tranquilo

Durmo e desperto

no dia que vem

Teresa David-1985

Fotos de Michael Martin retiradas do livro "Desertos de África"

sexta-feira, outubro 27, 2006


VACILAÇÕES
Quero o que quero
sinto o que sinto
vivo, vacilo, insisto, desisto,
e persisto no querer...
Assim, porque, assim
eu sou vacilante
no hoje, no sempre
por aqui adiante
Estou e não estou
estar é ficar
futuro de mulher
é não claudicar
Amar o que ama
querer o quer
destino de ser
sempre uma mulher
mulher de desejo
mulher de prazer
escolher a vontade
de estar e ficar
fugir ou morrer
perder ou ganhar
mas sempre viver
Teresa David-1985 , foto tirada por mim em Barcelona

sábado, outubro 21, 2006


A CAMA DESFEITA
É com o corpo que me entendo
que exploro os meus anseios
quando as pernas se enroscam
e os braços se enleiam
Das bocas entreabertas
com o peito a arfar
soltam-se gemidos, palavras
enquanto me olhas nos olhos
sem deixar de respirar
É na expressão de um rosto
que a exaltação mais se sente
nesse quase desfalecer
nesse desejo fremente
No final da jornada
com a cama toda desfeita
fica a ternura, o enlevo
de uma mulher satisfeita
Teresa David - foto minha

sexta-feira, outubro 20, 2006



OS POMBOS DO POETA

Teresa David-Foto minha

segunda-feira, outubro 16, 2006




OPIATO

Entre a tontura e a vertigem

Antevi o teu enleio

Avancei, esmoreci,

E desisti pelo meio

No meio de tanto torpor,

Nem mãos, pernas, cabeça,

O meu olhar alcançou,

Apenas um pormenor

Consegui reconhecer,

Muda, queda, em terror,

Achei que ía morrer,

Pois seu pé se ergueu,

E afinal era um pássaro

Cantando seu apogeu

"Ópiometria" da névoa

Que nos faz entorpecer,

A falsa paz se instala

Na vontade de viver.

Teresa David - foto minha do Mar, e pés retirados da Net

sexta-feira, outubro 13, 2006

DESPERTAR

Abrir os olhos, erguer,
primeiros passos na casa,
um cigarro em jejum,
regresso á luz do dia,
regresso a um dia comum

A beata no chinelo,
Com um olho só aberto,
É o vislumbrar do caos,
é constatar que o filho
ainda está menos desperto

A seguir vou-me sentar,
para descansar do descanso,
planificar as tarefas,
olhar o sol reflectido,
na alva parede do terraço,
mas agora que só estou
não haverá nenhum abraço.

Nem bom dia matinal,
miro o gato que me olha,
e penso:
Está tão velho o animal!

A beata no chinelo
é recordação guardada,
nem o chinelo tem pé
nem a beata foi fumada!

Teresa David-foto minha

quarta-feira, outubro 11, 2006



Plácidamente no seu cativeiro, Camilo, rasgou a madeira, com suas unhas, para escrever a sangue, o nome da amada.

Teresa David

foto tirada por mim na cela onde Camilo esteve aprisionado no Porto.

segunda-feira, outubro 09, 2006



PÉGADAS

Caminhei pela praia,

numa jornada sem fim,

á procura de alguém,

para me lembrar de mim.

Após muitos quilómetros

sem ninguém encontrar,

exausta, derrubada, desisti,

e fiquei olhar o mar,

que esse nunca foge dali!

Teresa David

segunda-feira, outubro 02, 2006



TEMPESTADE DE SENTIDOS

Quem dera ser orvalho

quem dera ser geada

para te inundar de mim

numa qualquer madrugada.

Poderia ser o estio

ou agasalho

perto então ficaria

desse corpo desejado

sem sequer dares por isso

nem mostrares nenhum enfado

Quem dera ser vento

ou chuva

quem dera ser um raio

cairia sobre ti

mais forte que o orvalho

Teresa David-foto minha de uma pré-tempestade

quinta-feira, setembro 28, 2006




POEMAS PLANETÁRIOS
FASES DA LUA
Apetecia-me mergulhar sem nave no espaço
para beijar um quarto minguante
Ficar dentro de ti dolentemente estiraçada
numa cratera, e inundar-te de choro raivoso
Acordar em lua prenha
Sumir-me em eclipse
Regressar á Terra em Lua Nova
e nova de novo ficar
Crescente de vida e sabedoria
Multiplicar as fases
tttttttttttttttttttttttttttttttt
VIAJAR PELOS PLANETAS
Martirizadamente em Marte
procurando formas de vida
Olhando nos olhos o ar por respirar
focando o vazio
descobrindo os sentidos
Aqui na Terra, sonhando Saturno
para meter os dedos nos anéis,
e depois chegar ao Sol.
Incendiar-me qual Joana D'Arc
na busca de um deus
Teresa David-fotos retiradas da Net

terça-feira, setembro 26, 2006



Entrei nas masmorras á procura de nada, e apenas um buraco negro encontrei.
Daí ter decidido correr apressadamente de volta á luz.

Teresa David
fotos tiradas na Ilha do Pessegueiro





segunda-feira, setembro 25, 2006



ONDE ESTÁ O WALLY?????

Voltei e trouxe mais uma resma de fotos de pombos e de mar!

Teresa David

quinta-feira, setembro 07, 2006




O CLIENTE QUE NÃO PAGOU!!!
Dedico este post a alguém com quem tive o prazer de partilhar uma tarde de "fotopasseio", e que me fez uma agradável e apaziguadora companhia.
Teresa David
E este foi o meu derradeiro post antes de "abalar" até ao fim do mês para fora, onde ficarei sem computador. Que fiquem todos bem por cá, que eu irei ter saudades deste convívio virtual, mas I'LL BE BACK, como dizia o outro!.