
O clima traiu-me algumas vezes, trazendo dias chuvosos.
Olhar o mar cinzento, a piscina deserta, as pessoas recolhidas nos seus habitats e as esplanadas com as cadeiras encostadas ás mesas, como aviso de não as podermos usar, poderia ser tristonho, mas acabei por me divertir á grande!
Ao invés
da pouca roupa dos dias solarengos, os chinelos foram abandonados, dando lugar aos ténis ou mocassins.

Casacos vestidos, calções que cresceram até ao final das pernas.
Mesmo assim os dias continuaram a ser agradáveis.
Aproveitei para ir escrevendo estas memórias, sob o canto exuberante dos muitos pássaros que habitavam as inúmeras árvores que se espalham pelo parque, enquanto os meus amigos faziam a sua habitual sesta da tarde.
A par disso surgiu-me a ideia de ilustrar uma afirmação que me fervilhava na cabeça: "Afinal não sou tão gorda como pensava!"
Daí ter começado, de câmara disfarçada pela longa manga que o clima desastrado me obrigava a usar, com um radar no lugar dos olhos, a caminhada de vários kilometros, qual paparazzi, em busca de rabos, particularmente, com o tamanho do Universo.
Como quem porfia sempre alcança, após uma perseguição infrutífera atrás de um que se esmagava no selim de uma bicicleta, esbarrei com o "culo" mais proeminente de todo o recinto, pertencente a uma mulher jovem, duns trinta anos, com 2 filhos, cujo marido também era bem nutrido de carnes. Em passada miúda, olhando sempre pelo "rabo" do olho, via-a estancar. Foi, então, que furtivamente disparei a máquina e recolhi o meu troféu.
Claro que para conseguir 3 fotos, tirei algumas 30, que sairam, ou desfocadas, ou pura e simplesmente sem o alvo pretendido.
Já no regresso á caravana, deparei com outro volumoso naco de carne espetado na minha frente. Não resisti e com toda a clandestinidade possível, me escondi atrás de uma árvore e preenchi todo o écran com esse luxuriante massivo de formas.