sexta-feira, janeiro 19, 2007



UMA GAIVOTA
Estava eu pacatamente a começar a comer uma gigantesca tosta mista em pão saloio, no 4º andar dos serviços médicos bancários, junto á rasgada janela sobre a mesquita perto da Praça de Espanha, onde me desloco amiúde para tratar as mazelas do corpo, quando ouvi um bicar estranho vindo da janela. Olhei, e apercebi-me que uma gaivota estava no parapeito a olhar-me fixamente. Como o rio ainda fica longe, achei estranha a sua presença por ali, mas continuei a trincar a minha tosta. Nova bicada, novo olhar, e o fixar-me de novo nos olhos! Aí já comecei a achar um pouco estranho, pois nunca tinha pensado ser possível uma gaivota ter um olhar tão penetrante.
Desconfiada que ela já seria "cliente" habitual dali, abri a janela e partilhei a minha tosta, que de tão grande exorbitava o meu apetite, e verifiquei que engoliu o pedaço de imediato, e voltou a olhar para mim fixamente. Voltei a abrir a janela, e dei-lhe á mão mais um bocado, que desapareceu num ápice.
Solitariamente divertida comecei a pensar com os meus botões que no fundo todos os animais se permitirmos arranjam forma de dialogar connosco. Mas foi a primeira vez que travei conhecimento de tão perto, e desta forma, com uma gaivota, que depois de saciada a fome me deitou um último olhar, e voou rápidamente para um candeeiro bem longe de mim.
Teresa David- fotos minhas

24 comentários:

Afrodite disse...

Conheço bem esse quarto piso.

Embora, como sabes, se coma uma excelente e barata refeição na sala ao lado, fico-me sempre pela tosta 'mística', o sumo de laranja e um café. Só que, por não haver serviço de mesas, e eu ser preguiçosa, fico nas mesas junto ao balcão.

Fico... não! Ficava !!!!

A partir de hoje irei para as do fundo, junto à janela, na expectativa de ver a tua gaivota.

E já agora, aqui que ninguém nos ouve, vou contar-te um segredo: ao sair, enfio-me na casa de banho (a primeira do corredor à esquerda) destinada a deficientes. É ampla e eu sento-me junto à rasgada janela sobre o prado e, regalada, fumo um cigarro....


§(~_~)§ beijo da Afrodite
(uma carinha d'anjo - não desfazendo - num corpo espectacular, com tudo no sítio, muito dentro do prazo, sem aditivos nem silicones)

Titas disse...

Teresa Maria,
Passei por aqui (tu estás nos meus 'favoritos') vim comentar o teu delicioso relato, e que vejo eu, mesmo aqui por cima -ou por baixo- de mim (salvo seja, vade rectro Satanás, t'arrenego Belzebú, ai jesus, cruzes canhoto, lagarto, lagarto, lagarto)?

A amoral, vergonha da nossa classe de mulheres, cujo nome nem ouso pronunciar.

Sabes que não sou pessoa do 'diz-que-disse', nem de conflitos, mas que deverias ter aqui uma placa a dizer "reservado o direito de entrada", lá isso, devias!

Para ti,
//(~_~)\\ um beijo da Titas

Afrodite disse...

olhe lá, ó criatura que dá pelo nome piroso de titas, você é, é uma grande invejosa, mal-dizenta e intrigueira e mais não digo por respeito à dona Teresa David!

Teresa Maria,
tu desculpa-me esta peixeirada; mas conheces-me: sabes que não sou 'melher' de levar desaforo para casa... e és testemunha: provocaram-me.

Desculpa o desabafo, amiga, mas eu um dia ainda me desgraço por causa daquela tinhosa.

DEFINITIVAMENTE, não há lugar na net para as duas. Ou ela, ou eu!

Maria Carvalho disse...

As gaivotas são interessantes...na Boca do Inferno existem várias, mas em Lisboa tão longe do rio nunca vi! Bom fim de semana. Obrigada pela visita no eco e beijos.

José Leite disse...

Pela vez primeira aqui venho e deparo-me com S. Francisco de Assis que, dizem também palrava com a passarada...

Visita o meu blog e diz-me lá se há pássaros com sabor humano ou não!

Marta Vinhais disse...

Olá, nada mais agradável - dialogar com quem, muitas vezes se torna na nossa "confidente" forçada.
Gostei mto do texto e a foto tb.
Beijos e abraços
Marta

M. disse...

Que giro! Não fazia ideia de que as gaivotas fossem tão sociáveis. Só lá faltou um pombo, para a companhia ser completa... ;-)

Cusco disse...

Simples e bem conseguida esta história! Gostei e vou voltar, mas antes deixo os votos de um bom fim de semana.
Eu estou pensando ir ver as gaivotas..!

Até breve
SE DEUS QUISER

bettips disse...

Como disse ontem e não apareceu aqui...animais por vezes são melhores interlocutores! Primários e fundamentais. Um acontecimento muito giro que tu aproveitaste tão bem! Bjinho

Su disse...

gostei de ler.te
belas fotos

jocas maradas

por um fio disse...

Gostei muito da tua história, apesar de tudo, muito comum. Quando hos tornamos habituais num certo espaço, começamos a fazer parte daquele ambiente, cohabitando e convivendo com os outros «clientes habituais», quer sejam pessoas, quer sejam aves ou ainda outros animais. Estou-me a lembrar de uma esplanada onde os pardais também vinham à mesa picar as migalhas de pão e outras coisas...
Também gostei das tuas fotografias.
E também gosto mais do teu novo «look»... :)))
Beijinho

Tozé Franco disse...

Nas Berlenga há que ter cuidado com a comida senão lá vai ela no bico das gaivotas. Já em Vigo costumam ir às esplanadas despois de sairmos e deliciam-se com o que sobrou.
Acho-as umas aves patuscas mas cuidado quando resolvem "descomer", pois são "perigosas".
Um abraço

Maresi@ disse...

Belo este quadro que nos apresentas... cheio de cor e movimento...
Ainda estou em falta...mas prometo... pouco tempo mesmo...

Beijo suave____Maresi@

Carla Augusto disse...

lindas fotos...
belas palavras...
um abraço :)

Conceição Paulino disse...

ora estamos sempre a tempomde aprender. Como gostomuito do ar livre tenho feito amizades bem estranhas. A + estranha, por inesperada, foi durante um período de férias de Verão nas praias do Alentejo, com uma gralha k adoptou na família. Só nos deixava qnd iamos p/ apraia, qnd estávamos por "casa" vinha ter conosco, empoleirava-se nos braços, ombros ou cabeça (sítio predilecto mas k magoava um pouco por se fixar com as garras no couro cabeludo)...E lá pinha afamília toda a correr e a caçar gafanhotos para aalimentar tal a diversão k era vê-la comer deliciada.
tenho várias fotos e o "olhar" desta ave era espantoso.
bj grande. Ontem consegui reslver o problema com a net - k n/ havia conforme te disse por SMS
Bom domingo

Conceição Paulino disse...

ora estamos sempre a tempomde aprender. Como gostomuito do ar livre tenho feito amizades bem estranhas. A + estranha, por inesperada, foi durante um período de férias de Verão nas praias do Alentejo, com uma gralha k adoptou na família. Só nos deixava qnd iamos p/ apraia, qnd estávamos por "casa" vinha ter conosco, empoleirava-se nos braços, ombros ou cabeça (sítio predilecto mas k magoava um pouco por se fixar com as garras no couro cabeludo)...E lá pinha afamília toda a correr e a caçar gafanhotos para aalimentar tal a diversão k era vê-la comer deliciada.
tenho várias fotos e o "olhar" desta ave era espantoso.
bj grande. Ontem consegui reslver o problema com a net - k n/ havia conforme te disse por SMS
Bom domingo

Diafragma disse...

Olha, nem sei que mais me espantou:
Se saber-te "a comer uma gigantesca tosta mista em pão saloio, no 4º andar dos serviços médicos",
Se a cena da gaivota em plena P. de Espanha,
Se imaginar-te a tirar fotos no 4º andar dos serviços médicos!! :))))

o alquimista disse...

A luz inundou o dia, no resto do vago que resta da noite, sons de melodia dolente que ecoaram por toda a lagoa...

Feiticeiro domingo

Doce beijo

Frioleiras disse...

A ternura ...
nas gaivotas !

Alexandre disse...

Bom, adoro gaivotas, é possivelmente a ave que mais fotografei na minha vida, devo ter umas centenas de fotos de gaivotas...

E adoro aquele fado do Carlos do Carmo / Amália / Paulo de cravalho, etc.

Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de Lisboa
No desenho que fizesse....

Beijinhos!!!!!

Lia disse...

Seria Fernão Capelo Gaivota?

:)

Beijinhos
Lia

Titas disse...

Bem do ladinho do céu tem um lugar chamado Ponte do Arco Íris.

Quando morre um animal que foi especial para alguém daqui, esse animal vai para Ponte do Arco Íris.
Lá existem riachos e colinas para que todos os nossos amigos possam correr e brincar juntos .
Tem muita comida, água e sol, e nossos amigos estão quentinhos e confortáveis. .

Todos os animais que estavam velhos e doentes voltaram a ter vigor e saúde; aqueles que estavam machucados ou aleijados estão inteiros e fortes novamente, exatamente como nas nossas lembranças dos tempos que já se foram.
Os animais estão felizes e contentes, exceto por uma coisinha: cada um deles sente falta de alguém muito especial , que teve que ficar para trás.

Todos correm e brincam juntos, mas chega o dia quando um subitamente para e olha para longe. Seus olhos brilhantes estão atentos; seu corpo treme de ansiedade. De repente ele começa a correr para longe do grupo, voando sobre o gramado verde, suas pernas indo mais e mais rápido.

Você foi avistado, e quando você e o seu amigo finalmente se encontrarem, vocês se abraçam numa reunião feliz, para nunca serem separados novamente. Os beijos alegres chovem sobre o seu rosto; suas mãos afagam de novo a cabeça amada, e você pode olhar mais uma vez nos olhos confiantes do seu amigo, ausentes há tanto tempo da sua vida mas nunca longe do seu coração.

Aí vocês cruzam juntos a Ponte do Arco Íris....

Autor desconhecido...

Anónimo disse...

Olá.

O facto das gaivotas andarem mais em terra, torna-as mais sociáveis, mas pode não ser bom sinal...
Já pensaram que não é só quando há tempestade que elas por cá andam...
Acho que se habituaram, tal como os pombos.Já repararam? Qualquer dia quase não voam...
A convivência com os humanos, talvez seja por questão de carências alimentares mais naturais.
Os pombos, mal se desviam dos carros, perderam o instinto de fuga e a agilidade de um voo rápido.
É amorosa a interacção aqui descrita.Mas não deixa de ser preocupante.
A Natureza dá-nos tantos sinais...
Apesar do apontamento que fiz, gostei muito da tua história.
Um bom dia.

isabel mendes ferreira disse...

és tu que dialogas....com esse teu peculiar modo de olhar....:))))
______________




beijo.


por um texto que voa.





(Piano)