
domingo, janeiro 02, 2011
ATÉ SEMPRE, AMIGOS E AMIGAS

quinta-feira, maio 06, 2010
Toca-me como se fosse de Cristal.
Só as pontas dos dedos serão viáveis.
Ao invés de pressão, uma ligeira aragem,
sobre a penugem do corpo,
que se tornará verde de arrepio.
Teresa David/2010 (fotos tiradas por mim)
Era um cacto pequenino, ínfimo,
Cresceu, pariu e floriu,
Na justa medida da tua ausência.
Teresa David/Maio 2010
domingo, abril 04, 2010
aguarela por mim pintada em Jan/2010
Entrelaçam-se os olhos
Com gelo a escorrer cara abaixo.
Corpos imóveis em rigidez total.
Das bocas sai o silêncio.
Apenas um ligeiro batucar dum pé
Relembra que são seres vivos.
ATITUDES II
Corre, corre, corre.
O suor salpica-lhe a cara,
Cola-lhe a roupa ao corpo.
Corre, corre, corre
Até cair fulminado por um raio.
LEVITAÇÃO
A trote atravessa as grades
A passo esbarra com a parede
A galope alcança o voo
Fica a pairar entre a terra
E as nuvens que se adensam.
ESCOLHA
O céu dividiu-se.
Dum lado o sol brilha
Do outro está cinza chuvosa.
Saltito entre os dois lados
A experimentar os opostos.
Hesito na escolha.
O sol é aliciante mas…
Então um soberbo arco-íris
Surge no cinza
Atraindo-me hipnoticamente
Para si.
QUIMIO
Os tubos enrolam-se-me
Por todo o corpo.
Dentro de mim uma maré química
Torna-me sonolenta.
A cara fez-se árvore
Nas pernas a tremura
Caio num torpor sem sonhos
Que me afasta de mim.
Fico num limbo,
No meio de algas
Que me aconchegam
Mas gelam.
Restam as mãos
Tornadas transparência
Onde nada já se segura.
Adormeço por fim.
Teresa David/2010
terça-feira, fevereiro 16, 2010

Cada pessoa enfrenta os maus momentos de forma diferente.
domingo, janeiro 03, 2010
A DAVID E O GOLIASquinta-feira, dezembro 03, 2009

Pela chaminé desceu
o tempo por viver.
Na árvore estão
suspensas as penas.
Á volta, o silêncio sufocante,
a gritar
Na mesa a comida
Acabou.
Os sonhos foram escritos.
Rabanadas de risos
Sem crianças presentes
Resta o sabor da neve
Que não caiu.
Teresa David/2009
domingo, novembro 08, 2009
O meu livro foi ontem lançado no Palácio Galveias. Poderão ver algumas imagens bonitas, tiradas por uma querida amiga aqui:
http://www.flickr.com/photos/scarlet-poppy/4084878858/
e dentro desse site aparece um link com mais fotos.
Entretanto se houver quem esteja interessado em adquirir o livro directamente a mim, ou por correio, poder-me-á dar nota disso através do meu email: teresadavid52@gmail.com.
O dia de ontem fui muito emotivo e sugeriu-me o seguinte poema:
LANÇAMENTO
No Espaço voou o livro parido,
ramalhete de pessoas no reverso
do vulgar.
O perto distante,
o desconhecido que apareceu.
Palavras que se soltam, esquecem.
Efémero momento do esventrar
das sensações com gente
Teresa David/2009
sábado, outubro 17, 2009
quarta-feira, agosto 19, 2009

Um corpo, um gesto,
DESABAFOS
Escrever é esquecer
Inventar Mundos melhores, ou não,
Ficar em êxtase por nada,
Teresa David/2009
Do vulcão saiu a espuma
Teresa David/2009
Cheguei do nada
Teresa David/2009
NO RESTAURANTE
Uma imagem, uma presença,
Teresa David/2009
BAFO
Gostava de ser feita de ar
CORPO
Olhos vítreos manchados de rosa,
Teresa David/2009
Na bacia a água verde
Teresa David/2009
GARRAFA
No fundo da garrafa
Teresa David/2009
quinta-feira, julho 30, 2009
segunda-feira, julho 13, 2009
quarta-feira, maio 20, 2009

Volume I - EU MORO NA MINHA MÃE
Volume II -TROUXE-TE UM BEIJO NO BOLSO
Volume III - SE EU FOSSE LUA, FAZIA UMA NOITE
estes três pertencentes ao primeiro concurso.
Poderia postar agora o poema do meu filho mas ficará para mais tarde porque me apetece mais partilhar as preciosidades das crianças de menor idade tais como:
Teresa Alexandre de Mirandela
2 anos
AO PASSEAR PELA RUA EM OBRAS COM BURACOS:
- Ó Mãe, olha a estrada tem as janelas abertas
O sol está a lavar as mãos
despir-se, tomar banho e
foi á praia.
NUM DIA DE CHUVA
Ó Mãe
as nuvens estão a chorar...
porque o sol não lhe abriu
a porta para elas entrarem.
O Sol da noite dorme
porque a lua está acordada
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Cláudia Inês Silva Guerra
2 anos e oito meses
Lisboa
SABORES E CORES
As uvas sabem
a cor do amarelo
e
A cor vermelha
sabe a vinho.
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Vânia
3 anos
Santa Casa da Misericórdia de Azurara - Vila do Conde
A PROPÓSITO DO PAI TER FALECIDO
O meu pai morreu no cemitério,
e a minha Mãe guardou o coração
do meu Pai.
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João Carlos Cassola
3 anos
Vila Nova de Xira
A CAVAR
Mãe, vem ver os homens
a martelar nas ervas.
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Nádia
3 Anos
Feijó
Tenho um beijo grande
guardado na tua boca.
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e agora para finalizar aquela que para mim tem as frases mais espantosas.
Cláudia Inês Silva Guerra
Lisboa
VERDADE E MENTIRA
A Verdade
e
a Mentira
são tudo Mentira.
SEGREDO
Um Segredo
bem guardado
é um espanto!
SE EU FOSSE
Se eu fosse Lua
dormia sozinha
Se fosse Sol
dormia com as luas todas.
Fico por aqui porque esta madrugada parto para a Madeira por 5 dias. Quando voltar publicarei mais algumas pérolas das crianças.
Teresa David
au
terça-feira, abril 14, 2009
LE ROUGE
Entre a desistência não desejada
o tinto ressurge,
com o branco a desfazer-se em cinza.
O vidro tinto pelo néctar
a palavra que se diz
ou balbucia
A vida paralela
de quem deseja devorá-la.
Teresa David
LIQUIDO E ROSAS
Nos copos despejados
a cumplicidade cresce.
Enfeito-me de ar e gelo
praticando o frio
no morder do sorvete.
A cumplicidade continua
nas 21 rosas
que me tombam no regaço.
Teresa David
quarta-feira, abril 01, 2009
Ângelo olhou para o espelho e viu as longas melenas níveas a aflorarem os ombros.
Pensou:- Tenho de ir ao barbeiro!
E se bem pensou logo o fez.
Sentado na cadeira ao som da tesoura e do ligeiro ruído provocado pela queda dos flocos de neve, começou a pensar que a idade já avançava, a vida excessiva era de risco e que detestaria dar trabalho aos outros com a sua morte.
Com a cabeça mais leve, mas determinado, dirigiu-se de imediato a uma Agência Funerária que viu na mesma rua.
Bom dia, pode mostrar-me o catálogo dos vossos serviços fúnebres? - perguntou.
O empregado vestido de preto e com o cabelo repuxado para trás por gel extraforte disse: - É para senhora ou senhor, algum seu familiar?
Não, é para mim! - respondeu o Ângelo.
Embora com um ligeiro esgar de espanto, apresentou-lhe um enorme catálogo onde constavam caixões para todas as bolsas, desde os mais simples de pinho, até aos de madeiras nobres ornamentados com ferros brilhantes.
Após algum tempo de consulta o funcionário abordou-o para lhe dizer que teria de responder a um pequeno questionário:
Qual a sua idade?
Que ocupação tem?
Nesse preciso momento fez-se luz nos seus pensamentos e afirmou, olhando o homem directamente nos olhos: Poeta, e se como penso os poetas são imortais é descabido dar-lhe dinheiro a ganhar pois o mais provável é viver eternamente!
Boa tarde e passe muito bem!
Atônito, sem palavras ficou o vendedor com um braço no ar que paralisou e, o outro, agarrando o enorme cardápio da Morte.
Teresa David
segunda-feira, março 23, 2009
foto retirada na netsegunda-feira, março 09, 2009
quarta-feira, fevereiro 25, 2009

O Romeu Correia até tinha Julieta e tudo, não como amor de perdição, mas sim, como filha.
O seu afecto conjugal ia para a Almerinda Correia, que tinha sido campeã de atletismo nos seus tempos áureos de jovem de longas pernas e cabelos revoltos.

Conheci-a, já no papel de companheira apagada, do seu fogoso marido que era um exímio contador de histórias carnais.
Ironicamente, já que vivo há 30 anos em Almada, foi no Café Império, junto ao elevador de Santa Justa, já destruído, para se tornar mais uma casa de hambúrgueres, que me cruzei com ele, sentado sempre numa mesa ao fundo junto á janela, onde escrevia e falava só com as suas letras.
Nem sei bem como, um dia cumprimentou-me, talvez por já me conhecer de vista, pois era assídua do local e, acabei por diversas vezes me sentar na sua mesa, para ouvir as suas histórias dos tempos que fora lutador de boxe, estas ilustradas por fotos em pose de lutador com as luvas calçadas e tudo!
Equipado para um combate a lutar em brincadeira com a AlmerindaFacilmente o reencontrei em eventos ligados á cultura e percebi o respeito que a cidade lhe tinha, tanto que tem uma rua, uma escola secundária e um fórum em Almada com o seu nome.
Gostava de tomar café comigo e o meu companheiro e contar-nos aquelas histórias escaldantes que certamente não haveria muita gente a quem poderia relatar, inventadas ou não, dentre as quais destaco a da cigana que tocava castanholas quando atingia o orgasmo!
Anos atrás, mais concretamente em 1996, encontrei-o no centro da cidade de Almada, branco como a cal. Um arrepio percorreu-me o corpo porque lhe vi a morte na cara. Faleceu dois dias depois de ataque cardíaco.
A cidade ficou menos colorida.
Teresa David-fotos retiradas da Net
sábado, fevereiro 07, 2009

De pequenina depressa o seu corpo franzino percebeu que a vida não seria fácil.
Seus Pais, fortemente envolvidos na luta contra o regime de Salazar, enviaram-na, por portas travessas, para a União Soviética, onde ficou a estudar e fez o Curso Superior de Canto.
Eu também.
Conheci-a, após o seu regresso em Maio de 74 a Portugal, após muitos anos de União Soviética e algum tempo em Paris, num Restaurante que explorava com o seu companheiro, sito no Pragal de nome “O Forno de Cima”. Aí falava com ela sobre as agruras da maternidade e vida doméstica, porque a Úrsula, conhecida como Luísa Basto, pseudónimo que adoptou, desdobrava-se na limpeza do restaurante, da sua casa, acudir aos 5 filhos, uns dela em comum com o companheiro e um só dele, outro só dela e do José Jorge Letria, aos cozinhados, que praticamente fazia só.
Por volta da meia-noite desaparecia, tirava o avental de cozinha, pintava-se, penteava os fartos cabelos e, reaparecia, geralmente vestida de negro, como borboleta saída dum casulo.
Mal a sua voz se lançava no ar um arrepio na espinha me percorria, bem como a todos que a escutavam. Nunca na vida até hoje, ouvi, uma voz tão límpida e potente como a dela.
Contudo, parece que nunca levou muito a sério o seu talento, porque, salvo os convites muito esporádicos para programas alusivos ao 25 de Abril, ferrete que se lhe colou á pele pelo facto de ter dado voz ao Hino do “Avante”, onde a sua sonoridade é bem notória, alguns CD gravados sem grande divulgação e o LaFéria se ter lembrado dela para fazer de Amália no Musical depois da saída da Alexandra, resume-se á sua vida doméstica.

Tentei amiúde, infrutiferamente, ver mais além da concha onde se fechava, numa cara de tragédia não contada.
Uma das últimas vezes que a vi e trocámos um mero aceno, foi no dia do velório do Álvaro Cunhal, onde estava numa fila gigantesca, incógnita como sempre, apesar de ser quase como uma filha para o falecido, que vinha ao barbeiro ao Pragal e lhe pedia para lhe comprar a roupa, porque além de não ligar nenhuma ao que vestia, não tinha o mínimo jeito para o fazer.
Tenho o seu número de telefone e ela várias vezes me disse para aparecer, no entanto, a sua forma de ser tão fechada fez com que nunca tenha telefonado, malgrado a admiração que por ela tenho.
Por vezes tento saber por onde anda a cantar, mas ninguém sabe, pelo que apenas a apanhei, por mero acaso, há dois anos, após uma ida ao teatro, onde o Mestre Relojoeiro, sobre o qual escrevi algum tempo atrás me disse, que ela estaria a cantar fado numa cooperativa na Cova da Piedade, gratuitamente, naquela noite, na sua militância constante.
Se quiserem ler uma biografia que acho bem feita acerca da sua pessoa, onde, por coincidência tem uma foto exactamente da altur em que a conheci, podem ler aqui:
terça-feira, fevereiro 03, 2009
sábado, janeiro 10, 2009

O MARAJÁ
Na cabeça, o cabelo como cabeleira empoada da corte de Luís XIV. Os olhos, bichos de conta, a olharem-nos sempre com simpatia, mas também, com um brilho arguto. A tez escurecida pela origem goesa.
Falo do Orlando Costa escritor que conheci uns vinte e tal anos atrás na sua meia-idade teria cinquenta anos. Apesar de não ser muito conhecida a sua obra já lera um livro dele chamado Podem chamar-me Eurídice que me lembro ter gostado bastante.
Era devotado á sua cor política, o PCP, apesar de ser originário de família nobre e abastada, daí os amigos com amizade, mas convenhamos, também com algum sarcasmo lhe chamarem O Marajá, indo todas as 4as feiras religiosamente ás reuniões do núcleo de intelectuais a que pertencia. Chegava sempre com aquele sorriso afável que o caracterizava porque aproveitava esse dia para poder escapar ao jugo matrimonial e, ir até ao Ribadouro com os seus correligionários comer e beber. Manter-se-ia fiel ao Partido até á sua morte, poucos anos atrás.
Nos anos 50 esteve 3 vezes preso por apoiar a candidatura de Norton de Matos, mas também por militar a favor da paz.
Nunca fui a uma manifestação do 1º de Maio ou 25 de Abril que não me cruzasse com ele cumprindo o seu ritual partidário.
Não falava muito, porque a sua boca se encontrava ocupada a maior parte do tempo por um cachimbo de boa madeira que mordiscava e aspirava o fumo de quando em volta, mas quando o fazia era sempre para dizer algo que nos calava para o ouvir, ou para apaziguar algum animo mais exaltado.
A sua personalidade transbordava na escrita sempre social mas também onírica, onde o respeito e a admiração pelo feminino eram sempre visíveis.
Gostava de ouvi-lo, do seu sorriso rasgado, da sua afabilidade, nunca o vi em estado de embriaguez nem a fazer desacatos.
Recordá-lo-ei sempre em particular, quando veio ao funeral do meu companheiro e, como era sempre costume de cada vez que nos juntávamos para ir assistir ao enterro de algum amigo nosso, organizou o almoço de despedida em homenagem ao falecido.
Depois disso apenas o vi 2 ou 3 vezes no Rossio em concentrações em defesa do final da Guerra do Iraque.
Ah! E já agora, para quem não saiba, era o pai do ex-ministro e actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa e do jornalista Ricardo Costa da SIC.
Teresa David-foto retirada da net










