domingo, fevereiro 25, 2007
terça-feira, fevereiro 20, 2007

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

O CARLOS DOS JORNAIS
(1ª historieta de uma série que me proponho fazer sobre figuras com as quais me cruzei ao longo da vida por Lisboa)
Conheci-o já na última década da sua vida, quando ia comprar a minha dose de cigarros diária ao seu quiosque.
Habitualmente era sua mulher, franzina, baixinha, enrugada, mas com um aspecto doce e paciente, que mos vendia.
A ele, encontrava-o, logo de seguida, no café defronte do edifício onde trabalhava, em pleno Rossio, mas cuja entrada do pessoal se fazia pela Rua 1º de Dezembro.
E é aqui que se situa a graça desta historieta:
Sempre gostei de rimar, e quem melhor do que ele, figura típica da cidade de Lisboa, exactamente pela sua facilidade em dialogar em verso com as pessoas, para fazer uma desgarrada comigo?
Falo do Carlos dos jornais, que quem tiver mais de 50 anos e for de Lisboa, certamente se recordará, e que me cumprimentava todas as manhãs, dando os bons dias em rima, com palavras deste género:
Seja bem-vinda a Menina
Acabadinha de entrar
Com essa carinha linda
Ilumina o meu olhar!
AO QUE EU RESPONDIA:
Ora viva Sr. Carlos
Com a sua simpatia
Fico alegre e bem disposta
Logo no começo do dia
E se calhava reencontrarmo-nos outra vez durante o dia, lá ficávamos naquele diálogo versejante até á despedida, chegando a juntar-se pessoas em nosso redor para assistir.
Teresa David-foto da Net dum quiosque lisboeta
segunda-feira, fevereiro 12, 2007

S. VALENTIM
Meu coração já não bate,
Mas não parou de doer,
Por um Amor acabado
Que ainda me faz sofrer
Quieta cá no meu canto,
Vou afagando o meu gato,
Que morde e me arranha
Sem temor ou recato!
Valha-me S. Valentim!
Velador dos Amores
Para que possa por fim
Libertar os meus fervores
quarta-feira, fevereiro 07, 2007


OS GATOS
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
domingo, janeiro 28, 2007

PEITO ARDENTE
Não são de cão as garras que se enterram no meu peito desnudo.
Olho, indiferente, o sangue que escorre peito abaixo, aquecendo a barriga com um quente viscoso.
Alheia, estática, o olhar fixa-se num ponto existente em nenhures.
Estado comatoso, sentada, transida de frio, á espera do beijo encantado que me poderá despertar!
Teresa David - quadro de Lucien Freud
quinta-feira, janeiro 25, 2007

AS COFFEE SHOP
Gosto muito de cafés, pastelarias, cervejarias, restaurantes, em suma, sítios onde se possa comer ou beber, de preferência em qualidade, e sem excessos.
De dia, para dia, sinto em Portugal mais dificuldade em habitar tais sítios sem me sentir completamente desconfortável. Ir para o café beber a bica, e tentar ler um livro é algo quase impossível, pois mesmo que tenha apenas uma ou duas pessoas, elas lançam as suas vozes até aos limites das cordas vocais, por detrás do balcão as chávenas gritam em encontrões entre si, e os empregados vociferam a raiva de serem mal pagos, suponho.
Ainda encontro um que outro restaurante mais calmo, mas se tenho o azar de haver aniversariantes logo a confusão e gritaria começa, ao ritmo dos copos que vão sendo despejados.
É então que recordo as minhas idas á Holanda, onde também se come e bebe, mas ninguém se atreve a altear a voz, pois seria logo olhado ferozmente por alguém, uma vez que o civismo já faz parte do quotidiano daquela gente, sem escolha de classes.
Indo mais longe não resisto a relembrar as coffee shops, que mal se cruza a porta ficamos pedrados pelo cheiro intenso da mistura do haxixe com a marijuana, mas onde se respira silêncio e paz. E questiono-me: Para quê reprimir e ilegalizar seja o que fôr, se numa sociedade civilizada em que existe o respeito uns pelos outros, ninguém por auto-repressão se atreve a incomodar os outros?
Acresce ainda que enquanto as drogas leves tornam as pessoas pacíficas, o alcóol que somos campeões de consumo, torna muita gente briguenta e completamente anti-social,
Não estou a fazer a apologia do consumo, pois apesar do tabaco que é legal ser tão ou mais deletério que as drogas leves para a saúde, para mim a base de tudo é o ânsia de ainda conseguir ver um dia, as pessoas neste País respeitarem as escolhas umas das outras sem agressões ou preconceitos bacocos.
Mas cada vez me parece mais uma utopia!
Teresa David-foto minha de Amesterdão
sexta-feira, janeiro 19, 2007
segunda-feira, janeiro 15, 2007
quarta-feira, janeiro 10, 2007
sábado, janeiro 06, 2007

OS CORVOS DE AMESTERDÃO
Ao passear-me pelas ruas de Amesterdão comecei a encontrar amiúde corvos empoleirados em árvores, plácidos, quase sem mexer, e nos arredores da cidade a caminharem lentamente pelos relvados.
Isso fez-me andar para trás até á infância, e recordar, os meus 8 anos, em que já partilhava a leitura do jornal com meu pai, que me dava sempre, além dos suplementos infantis, a página onde se encontrava a crónica de Leitão de Barros no Diário de Notícias, de nome "OS CORVOS", enquanto me dizia: Cultiva o sentido de humor que é uma das melhores armas que poderás ter ao longo da vida.
Eram sátiras de costumes, de uma finura de linguagem, que hoje, infelizmente, raramente se encontra nos cronistas contemporâneos. Embora ele tenha sido cineasta e eu tenha visto, em reprise, os seus filmes, nomeadamente, A SEVERA, ALA ARRIBA, e principalmente CAMÕES, onde uma das minhas tias maternas, agora com 91 anos, foi buscada a casa pessoalmente pelo Leitão de Barros, para participar num pequeno papel no filme,mas a sua gigantesca timidez e preconceitos, fizeram que lhe passasse ao lado uma carreira de actriz, são as suas crónicas que me ficaram a dançar na memória através dos anos, e provocaram recordá-lo quando decidi falar dos corvos de Amesterdão, pois os de Lisboa, só se encontram nos nossos dias na bandeira da edilidade!
Daí não resisto, e deixo aqui uma das suas crónicas, que infelizmente, diria mesmo, lamentavelmente, continua actual, apesar de decorridos quase 50 anos sobre a sua publicação:
VISTORIA
Um dos aspectos simbólicos das mais altas tradições peninsulares é o cuspir no chão. "Se proibe escupir en en suelo", "É proibido cuspir no chão" - são dísticos que não dei fé de ver afixados em quaisquer outros idiomas senão nos de Camões e de Cervantes. E diz-nos uma correspondente: "Na Suiça não há escarradores". A simples necessidade de fazer, por habitante, uma "capitação" da saliva é, por si, um sintoma de que permanecemos fiéis a uma histórica herança de nossos maiores. Há tempo fez-se, ingenuamente, a campanha de "engolir em seco". Chegou-se a pôr um polícia na estação do Rossio, de guarda ao cuspo. Passado, porém, certo tempo, o caso esqueceu, comos os enredos dos filmes de cinema, E o polícia foi o primeiro a cuspir, num hábito puramente profissional.
Desafio aqui alguém a dizer-me que já não vê ninguêm cuspir no chão, e com requintes de malvadez, escarros bem puxados dos seus âmagos!!!
Teresa David - aguarela minha baseada nos corvos vistos em Amesterdão
terça-feira, janeiro 02, 2007


ANNE FRANK HUIS (CASA)
Sempre fui um pouco esquiva a visitar casas/museu com cargas históricas de acontecimentos que mexeram comigo. Esta casa seria uma delas, daí não a ter visitado na primeira vez que estive em Amesterdão.
No entanto, desta vez afoitei-me, e quando entrei no esconderijo da Família Frank, em particular no quarto que ela habitara, cujas paredes forradas com fotos de estrelas de cinema da época, e estampas de flores e bichos, nos transportam para um Universo de adolescente cheia de sonhos que ficaram por cumprir, e com alguma imaginação poder-se-á visualizar as suas mãos a colar tais adereços, imagens estas que a própria menciona no seu diário quando diz: Assim o quarto fica mais acolhedor, menos pequeno!
Era a forma de abrir uma janela para o exterior - digo eu.
Pelas várias dependências encontrei ecrãs onde se podia assistir aos testemunhos de várias pessoas que passaram por aquela casa, como a secretária, e nomeadamente o seu Pai, que conseguiu ser salvo do Campo Concentração pelas Forças Aliadas.
Mas, mais do que tudo, o que realmente me fez engolir uma lágrima mais afoita, foi ver o original do diário, escrito com letra típica de menina, e tão semelhante á minha própria quando tinha a sua idade!
O meu lado familiar paterno é de origem Judaica, sem, contudo, nenhum dos seus membros ter assumido essa religião, pois todos eram ou são católicos, salvo a minha falecida tia Kika que guardava uma ambiguidade em relação aos dois lados, indo, por vezes, quase clandestinamente á Sinagoga onde mantinha boas amizades. Daí quando eu tinha 9 anos ter-me oferecido o "Exodus" de Leon Üris, e o Diário de Anne Frank, enquanto me dizia: Por mais que queiramos nunca fugimos aos nossos antepassados. Logo, é melhor que aprendas alguma coisa sobre o que lhes aconteceu, pois apesar de tudo corre-nos sangue judeu nas veias!
Foram estas palavras que me bailaram na memória, e que me fizeram regredir á minha própria infância, sensibilizar, e particularmente indignar-me, porque àquela Menina bastar-lhe-ia mais um mês de vida e teria sobrevivido aos Nazis!
Mas se assim tivesse acontecido o seu testemunho teria chegado até nós, e eu estaria agora a escrever a seu respeito?
Teresa David-fotos de postais ilustrados comprados na Casa de Anne Frank pois era proibido fotografar no seu interior.
domingo, dezembro 31, 2006
sábado, dezembro 30, 2006

AS BICICLETAS
Por vezes nem se vêem, tal a velocidade com que nos ultrapassam, conduzidas por crianças, jovens, adultos, e idosos.
Outras vezes jazem encostadas ás amuradas ou gradeamentos dos canais, em descanso merecido.
Também se vêem penduradas, como prestes a desabar na água, não fosse a forte corrente que as prende.
Amesterdão não seria a cidade que aprendi a gostar, se elas não existissem, presentes em todo o lado onde nos movimentamos.
Alguns passeiam os cães a correr, pendurados pela trela, ao lado dos donos que pedalam com todo o vigor das suas pernas,
Também existem as que têem um pequeno caixote incorporado, em madeira, onde os bébés apenas com o nariz escarlate visível, se aconchegam na pressa.
Mas o que é realmente singular, é ver os casais de namorados que pedalam, lado a lado, vagarosamente, com as caras vermelhas do frio e da paixão, com as mãos entrelaçadas, num equilíbrio absoluto de corpo e sentires.
Teresa David-fotos tiradas por mim nesta ida agora a Amesterdão/Dez.2006
terça-feira, dezembro 12, 2006

OS PAPAGAIOS DO DESERTO DAS IDEIAS
Vivem das aparências. Os mais guarnecidos de cor empertigam-se, e sacodem as suas plumas Versace ou Gucci.
Aqueles, cuja falta de dinheiro não permite tal plumagem, encolhem-se em ramos mais pequenos e discretos. Todos calados á espera.
As frases feitas, ecoam na voz metálica dos poderosos, perturbando o silêncio.
É então que uma voz fina se espalha pela árvore, quando um pequeno recita palavras, e enche o deserto de poesia, a fazer calar desta forma, os lugares comuns dos pobres de espírito.
Teresa David-aguarela pintada por mim
terça-feira, dezembro 05, 2006


MATRIARCADO
sábado, dezembro 02, 2006

Após uns dias de ausência devido ao meu computador ter dado o berro, e agora com uma mother board nova e outros componentes, aqui estou de volta:
O MUNDO É UMA MAÇÃ
O Mundo é uma maçã que todos querem trincar, e acabam por apodrecê-la na sua ânsia de grandeza.
Lançam-lhe bombas que matam inocentes, impestam-na com químicos poluentes, e lamentávelmente, nunca veremos essas larvas aspirarem a serem borboletas esvoaçantes para embelezar o Planeta.
Teresa David- aguarela pintada por mim




















