terça-feira, julho 04, 2006



PRISIONEIRA

Há mais de 20 anos que a vejo a envelhecer, sem que se dê muito por isso, como acontece com toda a gente que vemos todos os dias.

Ela vive na vivenda colada á minha casa, e da minha janela, através do arame farpado, vejo-a estender a roupa, abanar o fogareiro onde assa o peixe, brincar com um garoto que toma conta, falar com as vizinhas.

Ao longo dos anos vi-lhe crescer a filha que se tornou mulher, e que a fez avó.

Mulher esquálida, de voz forte, nunca trabalhou fora de casa, e todo o seu reino se confina ao dentro e fora das portas da sua casa, permanecendo nesse quintal frente a mim, sempre que o clima o permite, ou correndo quintal afora a apanhar a roupa para não se molhar, quando as nuvens tombam em salpicos. Nunca a vi, aquando se senta num banco, ler um livro, não, fica queda a olhar o vazio, talvez a pensar na vida, como se costuma dizer.

Sei que seria incapaz de ter uma vida assim, presa a uma casa, coisa tão claustrofóbica para mim.

Contudo, ela está sempre calma e afável.

Mulher que me relembra os tempos da absoluta e irredutivel submissão ao marido, que pelos vistos ainda não acabaram. Pelo menos aqui, mesmo em frente á minha janela!

Teresa David

7 comentários:

AS disse...

Há pessoas assim! Fazem da solidão a sua companhia, a sua confidente, adoemeceram completamente os sentidos e as emoções...

Quanto á tua exposição, lá estarei no CLP, local que frequento com alguma frequência. Se precisares de algo em que possa ajudar, não hesites...

Um abraço...

Marta Vinhais disse...

Obrigada pela visita e terei todo o gosto em a conhecer.
Também para mim, por várias razões, a cor é muito importante na minha vida.
Quanto a esta cor, o rosa, uso-a muito.
Espero que me continue a visitar e quando estiver mais disponível, voltarei para ler com mais atenção.
Beijos e abraços
Marta

zecadanau disse...

Só para deixar um @bração após o meu regresso de uma ausência mais ou menos breve.

Zeca da Nau

Era uma vez um Girassol disse...

Olá Teresa!
Pois vai ser óptimo! Quero ir à tua exposição, claro! Aqui tão perto, não vou perder...

Interessante essa história.
Há gente assim: vivem no seu mundo, sem queixas, sem ais.
Para mim era impossível!!!!
Ar é o meu elemento!
Bjs

wk13 disse...

Encontrar-te... foi bom!
Encontrar-te, foi como possuir
Todos os azuis.
Como se tivesse um mar e um céu
Dentro de mim.

Encontrar-te, foi como possuir
Todas as cores, todas as flores.
Todas as luzes.
Foi como se o vento e as velas
Trouxessem a calma, a paz,
Que tanto bem fizeram
A minha alma.

Encontrar-te ...
Sentir a tua pele.
Teus doces beijos.
Hum!!. Foi bom!
Só tu sabes escutar
O meu ser.

Agora sonho, vou ao amor...
E no amor, sonho...
Embalo-me em teus braços,
Nos primeiros raios
De uma nova manhã.

http://vagueandoporti.blogspot.com/

M. disse...

De enorme ternura este texto. Gostei muito.

Conceição Paulino disse...

Ou talvez não. Conheço pessoas assim, por temperamento e nada tem a ver com submissão.
E sabe-se lá o k faz dentro d eportas. Pode ler. ler mto. No exterior há o mundo ao alcance das mãos, as nuvens no altp, o pipilar das aves no arvoredo, oz zumbidos dos insectos, as cores, os perfumes do ar...tanta coisa para VER.........
Bjs