terça-feira, junho 13, 2006



A ULTIMA LARANJA

Laranja única, fora de época, isolada entre folhas verdejantes.

Sumarenta, de cor vivaz, todos a temem colher.

Olham-na, esticam a mão, e retiram-na com a rapidez do temor ácido.

Laranja única, á espera do temerário que perceba que o seu sumo ainda é doce, apesar da solidão que a envolve.

Teresa David-foto minha

14 comentários:

LUIS MILHANO (Lumife) disse...

Belo texto com muito sentido.

Acredita que o temerário pode surgir inesperadamente.

Acredita sempre...


Beijos

Hata_ mãe - até que a minha morte nos separe Hugo ! disse...

Amiga
Tenho andado muitooooo afastada dos comentários...e blogs claro,,,que é como quem diz,,, tenho andado aos "trambolhões" cito ...
e ao cair passei pela tua laranjeira para apanhar uma laranja.
Formidável !!! o teu blog está a ficar muito lindo
beijos

Conceição Paulino disse...

e aqui resiste a laranja.
Como os seres.
E o nosso amigo Lumife apreendeu o duplo sentido (ímplícito, k n/ explícito) desta bela prosa de uma laranjeira onde a solitária laranja, na penumbra se esconde para melhor se revelar.
:)
Bjs amiga.
Ando ausente, mas não esqueço.
Até...

LUIS MILHANO (Lumife) disse...

Tenho um "grito" no meu canto para opinares...

Bjs

Conceição Paulino disse...

banho-me no dourado do laranjal.

por um fio disse...

Olá, Teresa!
Como vais? Já vi que te delicias agora pelas redondezas de uma laranjeira...
Bom gosto! Não há nada como uma boa e doce laranja! O seu sabor e aroma são únicos!
E a laranjeira uma bonita árvore! Perto de uma árvore com tantos frutos e de cor tão viva sentimo-nos seguramente menos sós...
Bj.

Jorge Castro (OrCa) disse...

Ainda que me conste que nunca se deve despir por completo uma laranjeira das suas laranjas. Vá lá saber-se se por superstição, certo é que uma deve permanecer, talvez criando poeticamente a ligação entre gerações (de laranjas, bem entendido...), ou apenas para que a mãe-laranjeira não se sinta por completo defraudada com a colheita.

A verdade é que aquela laranja se mantém, tempos infindos, com o ar viçoso, no meio daquele contraste de verde, e que tanto nos reconforta.

Beijos.

por um fio disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
por um fio disse...

Bonita esta imagem que aqui deixaram da laranja que deve permanecer na árvore para estabelecer a ligação com o futuro...
Reconfortante!
Um bom dia para ti Teresa!
Fico à espera das tuas flores...
Bj

por um fio disse...

Teresa
Apaguei a última mensagem porque tinha um erro ortográfico. Já corrigi e publiquei de novo.
:(
Bj

pintoribeiro disse...

Simplesmente soberbo. Boa noite,

por um fio disse...

Olá Teresa!
Ao reler o teu texto fixei-me no amargo sumo da laranja, que nem sempre é amargo. Às vezes é doce e bem doce! Exactamente como a vida é... horas amargas, horas doces!
Quando estamos na fase das horas amargas só temos que fechar os olhos «com muita força» e esperar que as horas doces cheguem depressa!
Não é mesmo assim?
Beijinho

wk13 disse...

laranjas são brasas vivas sobre ramos
ou rostos espreitando entre colinas verdes?
e a ramaria, folhas que baloiçam
ou formas frágeis que me causam pena?

vejo-te, laranjeira, com os teus frutos,
lágrimas rubras dos tormentos do amor.
são sólidos mas, se fundidos, vinho seriam
moldados pelas mãos mágicas da natureza.
são bolas de cornalina sobre ramos de topázio
à espera do açoite da brisa.
porque tais frutos beijamos,
ou seu cheiro aspiramos,
eis que às vezes nos parecem
ou rostos de raparigas
ou pomos feitos perfume.

http://vagueandoporti.blogspot.com/

M. disse...

Quando o sol desce à terra e se esconde entre o arvoredo...