
RODIN E CLAUDEL
A viagem mais fatigante que fiz até hoje foi a ida a Paris. Passo a explicar porquê: A ânsia de visitar todas as ruas que pertenciam ao meu imaginário de devota da cultura francesa, nomeadamente dos existencialistas, em particular da Simone de Beauvoir, mais do que o Sartre, que mesmo assim li grande parte da obra, dos surrealistas, com destaque para o Antonin Artaud, a pintura, os museus. Enfim, tentei em 5 dias ver tudo o que um mês não daria para fazer.
Depois de me matar um dia inteiro pelo Louvre, Museu Picasso, Orsay, dirigi-me ao Museu Rodin, levando dentro de mim um certo sofismo em relação a ele, por achar que destruiu completamente em termos humanos a companheira, Camille Claudel, que me parecia ter tido muito mais talento e sensibilidade pelo que já tinha visto em imagens da sua obra.
A obra dele começa logo a evidenciar-se nos jardins bem tratados e com o gigantismo e a força necessárias para não se ficar indiferente.
A viagem mais fatigante que fiz até hoje foi a ida a Paris. Passo a explicar porquê: A ânsia de visitar todas as ruas que pertenciam ao meu imaginário de devota da cultura francesa, nomeadamente dos existencialistas, em particular da Simone de Beauvoir, mais do que o Sartre, que mesmo assim li grande parte da obra, dos surrealistas, com destaque para o Antonin Artaud, a pintura, os museus. Enfim, tentei em 5 dias ver tudo o que um mês não daria para fazer.
Depois de me matar um dia inteiro pelo Louvre, Museu Picasso, Orsay, dirigi-me ao Museu Rodin, levando dentro de mim um certo sofismo em relação a ele, por achar que destruiu completamente em termos humanos a companheira, Camille Claudel, que me parecia ter tido muito mais talento e sensibilidade pelo que já tinha visto em imagens da sua obra.
A obra dele começa logo a evidenciar-se nos jardins bem tratados e com o gigantismo e a força necessárias para não se ficar indiferente.


Dentro do edifício vi a famosa escultura do “beijo”, "as mãos" em posição que mais pareciam um pássaro a levantar voo e o incontornável “pensador”.


Contudo, ao penetrar na sala onde se encontra a obra da Claudel, quase tudo o que tinha visto antes se ofuscou com a dureza de uma verdade nua e crua de algumas das pequenas esculturas que vi, a par com a beleza das formas de outras.



Perante a constatação de tanto talento e sensibilidade confirmei dentro de mim, que, muito possivelmente, se tivesse sentido diminuído perante a obra da companheira e isso o tenha levado a interná-la num hospício até á morte. Mas também pode ser tudo uma enorme aleivosia e ela ter sido alguém realmente com problemas.
Resta a obra e tentar através dela traduzir o que aqueles seres terão sentido na sua passagem neste Mundo.
Falar deste casal fez-me recordar um caso que julgo, em termos de competitividade entre os dois ser idêntico, que será o Almada Negreiros e sua mulher Sarah Afonso, cuja obra me pareceu sempre de enorme qualidade mas ofuscada pelo marido. Mas isso é outra história, pelo que por aqui me quedo.
Teresa David